terça-feira, 29 de março de 2011


O USO DE ÁCIDOS GRAXOS ESSENCIAIS, VITAMINAS A e E, LECITINA DE SOJA E LANOLINA NA CICATRIZAÇÃO SECUNDÁRIA DE FERIDAS DERMOEPIDÉRMICAS EM EQUINOS.

MONTEVERDE, A. C.¹
¹Médico Veterinário especialista em clínica eqüina – Porto Alegre, RS.                         e-mail: alexandremonteverde@yahoo.com.br


Introdução
O presente trabalho teve como objetivo avaliar os efeitos do uso de solução tópica aérossol contendo ácidos graxos essenciais, vitaminas A e E, lecitina de soja e lanolina (AGEVET) na cicatrização secundária de feridas dermoepidérmicas em equinos. Os ácidos graxos essenciais são ácidos graxos poliinsaturados, que não podem ser sintetizados pelo organismo. O uso tópico destes ácidos acelera a cicatrização pelo estímulo à formação do tecido de granulação e intensificação da angiogênese, a vitamina A serve para manter a integridade de todos os tecidos epiteliais, a vitamina E auxilia na regeneração tecidual, a lecitina de soja protege, hidrata e auxilia na recuperação da pele e a lanolina mantém a ferida umedecida por mais tempo o que favorece a cicatrização.



Material e Métodos
Foram utilizados 6 equinos. Os animais avaliados, todos procedentes da rotina clínica diária, tiveram supervisão clínica periódica durante o período de cicatrização. A aplicação tópica da solução em aérossol foi realizada com a freqüência de duas vezes diárias (início da manhã e final da tarde) até a completa cicatrização da pele. As feridas foram limpas, com água corrente e o auxílio de sabões para a retirada de crostas, sempre antes de cada curativo.



O relato dos casos segue de acordo com as fotos a seguir:
  • Primeiro caso: Eqüino da raça P.S.I., macho, de 07 anos, com lesão na base da cauda provocada por fricção continuada durante o transporte.
                                          Primeiro dia
                                                Sétimo dia


  • Segundo caso: Eqüino macho, 8 anos da raça Crioula. Lesão de pele no flanco direito provocada pela mordida de outro eqüino.
                                          Primeiro dia
                                    Sétimo dia 

  • Terceiro caso: Eqüino da raça Crioula, macho de 12 anos. Lesão na região caudal da coxa provocada pela perfuração da pele através de uma estaca metálica utilizada para amarração do animal.

                                                Quinto dia 
                                                Décimo dia
  • Quarto caso: Eqüino da raça PSI, fêmea de 15 anos. Escoriação na região da cernelha provocada pelo uso intenso e inadequado da sela.
                                          Primeiro dia
                                          Terceiro dia
                                                Quinto dia

  • Quinto caso: Eqüino da raça Crioula, fêmea de 3 anos de idade. Laceração da pele, no membro posterior esquerdo, na região do jarrete provocada por cerca de arame galvanizado liso.
                                                    Primeiro dia
                                              Sétimo dia

  • Sexto caso: Eqüino SRD, macho de 12 anos. Escoriação da região da cernelha provocada pelo uso inadequado e intenso da sela.
                                          Primeiro dia
                                    Terceiro dias 

Conclusão

      A utilização dos ácidos graxos essenciais e associações (AGEVET) na forma de aérossol se mostrou eficaz na cicatrização de feridas dermoepidérmicas. O AGEVET promoveu uma rápida reorganização tecidual e nítida cicatrização da ferida, tanto por contração quanto por epitelização. Aumentando a permeabilidade da membrana. A apresentação na embalagem em aerossol garante a estabilidade do produto, além de evitar a rancificação por evitar a exposição ao ar.

celular, estimulando os fatores de cicatrização. Além do fato de não promover tecido de granulação exuberante.


Referências Bibliográficas

  • CAR, ANTHONY et al. Utilização dos Ácidos Graxos Essenciais (AGE) na Clínica Veterinária. Informe técnico. CEPAV Laboratórios – Tecnologia em saúde animal. Disponível em: http://www.cepav.com.br/br/paginas_internas/textos_tecnicos/acidos_graxos.html. Acesso em: 12 abr. 2010.
  • DE NARDI, A. B. et al. Cicatrização secundária em feridas dermoepidérmicas tratadas com ácidos graxos essenciais, vitamina A e E, lecitona de soja e iodo polivinilpirrolidona em cães. Archives of Veterinary Science v. 9, n. 1, p. 1-16, 2004.
  • FRASER, C. M. et al. Manual Merck de Veterinária. 7ª ed. São Paulo:  Editora Roca Ltda, 1997.
  • MARTINS F°, L. P. et al. Uso de Ácidos Graxos Essenciais (AGE) em ferida necrosada de equino causada por substância química – Relato de caso. Artigos técnicos da ABRAVEQ. Disponível em: http://www.abraveq.com.br. Acesso em: 10 abr. 2010.
  • SILVA, JULIANA S. et al. Avaliação do uso de ácidos graxos essenciais no processo cicatricial de feridas de cães. XI ENPOS I Mostra científica. Disponível em: http://www.ufpel.tche.br. Acesso em: 12 abr. 2010.

segunda-feira, 28 de março de 2011

27ª CAVALGADA DO MAR – Fevereiro de 2011

                Neste mês de fevereiro passado, mais de dois mil homens, mulheres e crianças, percorreram o litoral norte do nosso Estado, cumprindo aproximadamente 250km, entre as praias de Torres e Dunas Altas (Palmares do Sul).
                Na sua primeira atuação em carácter oficial, em parceria com a Fundação Cavalgada do Mar, a Equine Clinic se fez representada pelos Médicos Veterinários Alexandre C. e Henrique R. Noronha, prestando atendimento veterinário aos cavalos participantes do evento.
                Anteriormente a Cavalgada, no mês de dezembro de 2010, os mesmos Médicos Veterinários, através da Equine Clinic e da Fundação Cavalgada do Mar, em convênio com a SOVERGS  - Sociedade Veterinária do Rio Grande do Sul e do CRMV – RS – Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul, realizaram palestra no auditório desta última entidade, reunindo cavaleiros e interessados no assunto, de diversas cidades do RS, para tratar de assuntos como condicionamento físico, nutrição e manejo sanitário de Cavalos atletas, de cavalgada. Esta palestra foi transformada em um DVD, que segue a disposição dos interessados no assunto.
                Durante a Cavalgada ocorreram diversos atendimentos veterinários, em sua maioria problemas decorrentes da falta de preparo físico, excesso de peso dos animais, e do calor excessivo dos primeiros dias. Embora a organização da Cavalgada em parceria com a CORSAN tenham providenciado água para os animais durante o percurso, o calor, o peso da areia e a falta de preparo, provocaram diversos casos de desidratação e problemas decorrentes deste.
                Os problemas mais frequentes foram a desidratação, acidose metabólica, cólicas (espasmódicas e impactantes), laminite (popular “aguamento”), além de pequenos ferimentos ou traumas decorrentes do transporte ou assaduras provocadas pelas encilhas.
                No dia de folga da cavalgada, ocorrido  na praia de Imbé, foram realizados uma palestra sobre Nutrição de Cavalos Atletas e um Workshp sobre Odontologia Equina, proferidas pelos Médicos Veterinários Henrique Noronha e Alexandre Montevede, respectivamente. O “ponto alto” das apresentações foi o atendimento odontológico de uma égua, participante da Cavalgada, onde os presentes puderam acompanhar o diagnóstico e o tratamento, no caso um “ajuste de oclusão dentária”, em todos puderam tocar e sentir os problemas, e depois do tratamento, observar o resultado.
                A equipe Equine Clinic nesta Cavalgada esta coordenada pelos Médicos Veterinários Alexanidre Monteverde e Henrique Noronha,  ainda contava com a colaboração de um estagiário e de uma secretária, encarregada da organização e do controle das medicações utilizadas nos atendimentos.
                A equipe Equine Clinic dererá estar presente em maio próximo, na Cavalgada Da Serra, prestando atendimento veterinário e palestras, afim de levar conhecimento aos participantes do evento. Esta cavalgada terá duração de quatro dias e percorrerá as cidades de São Francisco de Paula, Gramado, Canela, Nova Petrópolis e Picada Café.

Equine Clinic




quarta-feira, 23 de março de 2011

BAMBEIRA OU MIELOENCEFALITE POR PROTOZOÁRIO (MEP)

     “Mieloencefalite eqüina por protozoário (MEP) é uma doença neurológica, infecciosa e freqüentemente fatal de eqüinos”, conhecida também por “bambeira”. Estudos atuais demonstram como agente etiológico, um protozoário do gênero Sarcocystis, sendo hoje a espécie S. falcatula a responsável, diferente do que se acreditava há pouco tempo, onde a espécie responsável era a S. neuroma (RIET-CORREA, et al., 1998).
 A MEP foi identificada pela primeira vez nos Estados Unidos, em 1964, mas hoje já se conhece sua difusão por todas as Américas, dando destaque aos EUA, Canadá, Panamá e Brasil. Só dez anos depois de sua descoberta, foi identificado um protozoário semelhante ao Toxoplasma, em cortes histopatológicos.
Alguns estudos descrevem que os animais acometidos clinicamente tinham em média 8 anos de idade.
A MEP é uma doença esporádica, de ocorrência ocasional como epidemia em áreas restritas. Infecciosa, mas não contagiosa, sendo os eqüinos hospedeiros acidentais e terminais.
O hospedeiro definitivo é o gambá (Didelphis virginiana) (Fenger et al.,1997; Dubey et al., 2000). Esporocistos de S. neurona foram recentemente isolados de gambás no Brasil (Didelphis albiventris) (Dubey al., 2001b). O hospedeiro intermediário natural não é conhecido (Dubey al., 2001a). Experimentalmente verificou-se que os gatos podem atuar como hospedeiro intermediário.
Extrapolando o que se sabe sobre o gênero Sarcocystis, acredita-se que o cavalo infesta-se através da ingestão de esporocistos infectantes eliminados nas fezes dos hospedeiros definitivos (predadores), que podem ainda ser carreados pelos hospedeiros intermediários como aves e insetos (presas). Porém com relação ao S. falcatula isso ainda é apenas especulação.
Os esporocistos excistam no intestino delgado do eqüino, liberando esporozóitas que penetram no revestimento intestinal e entram na corrente sanguínea. Estes parasitas parecem obter acesso ao SNC pela penetração direta da barreira hematoencefálica. Também pode ocorrer entrada passiva dentro dos leucócitos. Os parasitas se multiplicam dentro dos neurônios e leucocitos, resultando em morte celular.
O início dos sinais clínicos pode ser gradual, porém é mais típico que esses sejam sinais discretos na fase aguda, às vezes com progressão muito rápida.
As lesões de medula espinhal parecem ser mais freqüentes que as ocorrentes no cérebro e, portanto os sinais de apresentação mais comuns são atribuíveis à lesão medular. Estes sinais são ataxia progressiva, e ocasionalmente, claudicação mau definida e de longa duração. Como este distúrbio provoca a degeneração das substâncias cinzenta e branca, tanto a astenia como a atrofia muscular são achados importantes da forma espinhal da afecção. Na prática, nota-se dificulade de andar em linha reta, dificulade de apoio nos giros (spins), dando “impressão” de “tontura”.
Alguns autores ainda citam que nos casos em que as lesões ocorrem no cérebro, as conseqüências também podem ser variáveis, dependendo, em grande parte, do local e da extensão das alterações. Assim nervos cranianos individuais podem tornar-se afuncionais, resultando em incapacitações bem definidas. Um efeito relativamente comum são as lesões unilaterais, envolvendo as funções motoras do nervo trigêmeo, e acarretando em dramática atrofia dos músculos masseter, digástrico e temporal, o que chega a ser considerado um sinal patognomônico em regiões endêmicas.
Em termos de patologia, as lesões são restritas ao SNC, sendo mais freqüentes na medula espinhal do que no cérebro. Dentro da medula são mais freqüentes na substância branca. São lesões de extensões variáveis e consistem de áreas de amolecimento e alteração da cor (vermelha ou marrom-acinzentada) em virtude de necrose e hemorragia. Microscopicamente, observam-se malácia (necrose) e reação inflamatória (mielite, mieloencefalite) não supurativa. Em cerca de 50% dos casos, o microorganismo não é observado nas preparações histológicas rotineiras.
A detecção dos anticorpos contra S. falcatula no liquor e no soro, é o teste mais útil para o diagnóstico clínico definitivo. Porém, esse exame envolve técnicas especiais (“westernblot”, PCR), normalmente não disponíveis nos laboratórios de diagnóstico do país. O liquor pode ser coletado dos espaços atlanto-occipital ou lombossacral, sendo este último, o de eleição, pois na maioria dos casos de MEP, as lesões estão situadas caudalmente ao espaço atlanto-occipital (nuca, primeiras vértebras). Deve ser levado em conta que cavalos clinicamente sadios podem apresentar anticorpos contra S. falcatula no liquor.
O diagnóstico presuntivo baseado nos sinais clínicos e na resposta ao tratamento específico são um bom método diagnóstico.
A MEP pode ser inicialmente confundida com outras enfermidades neurológicas dos equinos, daí a importância dos diagnósticos diferenciais, com traumas encefálicos, traumas medulares, mielopatia cervical estenótica, doença do neurônio motor, otite média/interna, mielite equina por herpesvírus, entre outras.
O tratamento consiste no uso de formulações comerciais orais, líquidas de sulfadiazina e pirimetamina, comercialmente preparada, na dose recomendada, uma vez ao dia. E ainda, uma segunda dose de sulfadiazina oral 12 horas mais tarde, tem sido recomendada, porém, sem comprovação da real eficácia. Nas duas situações o tratamento deve ser continuado por pelo menos 1 mês após o desaparecimento dos sinais. A média de duração deste tratamento está em torno de 4 meses.
Alguns autores indicam o uso de antiinflamatórios não esteroidais nas primeiras 1-2 semanas de tratamento e em qualquer momento que a condição possa piorar o quadro agudo do animal. A flunixin meglumine 2 vezes ao dia, é a mais recomendada, assim como a fenilbutazona, uma vez ao dia. O uso de corticóides deve ser evitado ao máximo devido aos efeito da imunodepressão.
Brow e Bertone (2005) cita como medicamento alternativo o diclazuril e toltrazuril de 5-10mg/kg, via oral, 1 vez ao dia, durante 28 dias, onde diversos testes os têm  mostrado como muito eficientes, principalmente no que diz respeito às recidivas. Tornando-se hoje, o medicamento mais utilizado nestas situações.
Medidas como acompanhamentos periódicos, cama de maravalha com mais de 40 centímetros de altura, são recomendadas por todos os autores que foram revistos.



Henrique Noronha
Médico Veterinário – CRMV RS 09144